Geral
22/08/2013 Policiais militares do Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT) passaram por momentos de tensão na noite desta quarta-feira (21) no bairro Nossa Senhora de Lourdes em Joaçaba. Por volta das 20h a guarnição fazia rondas no bairro quando se deparou com um jovem, ex-interno do Casep, que teria indagado a presença da viatura e que isso incomodava os moradores do bairro. O rapaz foi abordado, revistado e em seguida liberado.
De acordo com o cabo Luiz Antônio Trindade, assim que a viatura teria se afastado para continuar as rondas, o jovem teria passado a proferir palavras de baixo calão contra a PM. Ele ainda teria dito que assim como os policiais tinham arma, os moradores também teriam. A guarnição então retornou e assim que foi fazer a prisão do jovem por desacato ele teria reagido e incitado os vizinhos a também reagir contra a PM. A partir daí, pedras foram lançadas contra os policiais.
Nesse momento, Diogo da Silva Garcia, de 20 anos, correu em direção à residência de um vizinho. Os policiais, no intuito de se proteger e tentar deter Garcia, também correram para a mesma casa. Trindade comenta que, para dominar o rapaz, a PM efetuou um disparo com a pistola taser (arma não-letal), enquanto se esquivava das pedras.
O momento foi de tensão. Após dominar o jovem, os policiais pediram que ele ordenasse aos vizinhos que parassem de jogar pedras contra a guarnição. A solicitação foi acatada pelo rapaz e também pelos vizinhos. Trindade lembra que ouviu gritos de moradores dizendo que iriam atirar contra os policiais, porém, não houve nenhum disparo de arma de fogo.
A mulher de Diogo da Silva Garcia acompanhou a condução até a Delegacia de Polícia onde foi efetuado o procedimento por ameaça, resistência e desacato. Ele já tinha passagens pela polícia por tráfico de drogas. O proprietário de um veículo que estava estacionado na rua em que ocorreram os fatos também foi à delegacia registrar queixa por danos, já que o carro foi atingido por pedras.
Nenhum dos PMs ficou ferido. Cabo Trindade lembra que há cerca de duas semanas, o mesmo rapaz que foi preso havia solicitado auxílio da PM e foi atendido. Ele reitera que a Polícia Militar existe para ajudar a comunidade. “Graças a Deus cumprimos o nosso dever e fizemos o que tinha que ser feito”.
Versão do detido
Na manhã desta quinta-feira, Diogo da Silva Garcia procurou a reportagem da Rádio Catarinense para dar sua versão. Ele disse que estava caminhando na rua quando a PM teria lhe abordado e revistado. Ele nega que ofendeu os policiais e afirma que houve abuso de poder por parte dos PMs. Garcia cita o nome do cabo Trindade, que segundo ele, teria se provalecido da situação, já que seriam três policiais militares.
Na versão de Garcia, os policiais teriam dito que iriam “premiar a casa dele colocando bagulho (sic) roubado”. “Eles [PMs] falaram que se eu não ficasse preso ontem essa semana iriam me colocar na cadeia de um jeito ou de outro”. Garcia considera perseguição o que vem sofrendo desde quando era menor e foi internado por tráfico de drogas. Ele acusa os policiais de terem mexido com a mulher dele em outra oportunidade. O detido conta que está com o braço esquerdo quebrado e teria sido jogado no chão pelos policiais que ainda teriam efetuado chutes contra seu corpo. “Eles tem uma perseguição contra eu desde quando era menor”.
Sobre o fato de pedras terem sido jogadas por vizinhos, ele argumenta que os moradores teriam visto a covardia que a PM teria feito contra ele e se revoltado. Garcia fez exame de corpo de delito e afirma que irá processar os policiais. Ele confirma que já tinha passagem pela polícia quando menor e garante que agora tem família e trabalha de pedreiro. A filha dele teria presenciado a cena e ficado bastante assustada com a situação.
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