Jovem que teve perna esmagada por carreta em Joaçaba relembra o drama vivido

Juciane de Almeida, 28 anos, recebeu a reportagem da Rádio Catarinense

Geral
02/05/2014

      A última saída do trabalho para o almoço da jovem Juciane de Almeida, 28 anos, nunca mais sairá da cabeça dela. A experiência de ser atropelada por uma carreta marcará para sempre a vida dela. No dia 21 de janeiro deste ano, uma terça-feira, Juciane havia saído do trabalho na agência Sicredi de Joaçaba por volta das 12h50 com sua motocicleta Honda Biz placa MJL-4534 de Joaçaba. Ela transitava na rua Getúlio Vargas sentido Unoesc. Logo em frente uma carreta com placas de Itu/SP fazia o sentido contrário. Ao se encontrarem no cruzamento a motociclista segurou para a carreta descer em direção à avenida Barão do Rio Branco. Juciane pegou a pista da direita e a carreta a esquerda. Alguns metros depois, no cruzamento da rua Felipe Schmidt com a avenida Rio Branco ocorreu o pior. A carreta abriu e repentinamente dobrou a direita em direção ao moinho Spech. Juciane foi atingida pelo rodado traseiro do veículo de carga, caiu de peito no asfalto e teve a perna direita esmagada. A carreta ainda passou por cima de sua moto, destruindo-a. Antes de parar embaixo da carreta, no impulso, Juciane saltou da moto, o que evitou que o rodado atingisse a cabeça dela.

      As lembranças do dia fatídico foram rememorados na tarde desta sexta-feira (02) pela vítima. Ela gentilmente recebeu o jornalista Michel Teixeira da Rádio Catarinense para falar como está sendo sua recuperação. De cara, uma Juciane sorridente, mancando, mas de pé. Após os cumprimentos iniciais, sentados em volta da mesa da sala enquanto dois sobrinhos dela ajudavam nas atividades do lar, Juciane disse que mesmo com uma dor insuportável foi levada consciente ao Hospital Universitário Santa Terezinha (HUST). Ela lembra que conversava com os socorristas do SAMU durante o transporte ao hospital, a poucos metros de onde houve o acidente. Formada em Administração, fazia dois meses que Juciane trabalhava no Sicredi. O curso de pós-graduação que frequentava precisou ser trancado devido ao ocorrido. Como de costume, Juciane ia para casa todos os dias para almoçar. Ela mora na última casa de uma rua sem saída, abaixo da rua Orestes Ferri, bairro Contestado. São cerca de quatro quilômetros que separam a casa dela do local de trabalho.

     Depois de 20 minutos depois do acidente Juciane recorda que já estava no centro cirúrgico do HUST. Ela ficou longos 37 dias internada. Nesse tempo passou por três cirurgias. A primeira durou três horas e meia, a segunda – sete dias depois - uma hora e meia, mesmo tempo da terceira – quando faltava dez dias para receber alta. Juciane teve fratura exposta na perna direita, além de escoriações na perna esquerda, barriga e mão esquerda. O fato de não ter precisado ficar na UTI foi um fator positivo para a jovem. Durante o tempo que ficou internada recebeu acompanhamento médico, fisioterapêutico e psicológico. Juciane precisou trocar quatro vezes de quarto devido ao risco de infecção. Ela também precisou fazer enxerto de pele. Para isso foi retirado tecido da perna esquerda e implantado na direita.

       As sessões de fisioterapia são intensas. A Biz, que não tinha seguro, teve perda total. Há três semanas Juciane já consegue caminhar lentamente. Por um mês ela teve apoio de muletas. A empresa na qual trabalha tem dado todo o suporte para ela, o oposto da transportadora dona da carreta que causou o acidente. Nem mesmo o motorista até hoje sequer fez um telefonema para saber como a jovem está. Inconformada por isso ela contratou advogado e ingressou com uma ação judicial por danos morais contra a empresa paulista. No tempo que ficou no hospital Juciane recorda que recebeu muito apoio familiar e de amigos. Ela perdeu sete quilos e recebeu seis bolsas de sangue. A anemia foi inevitável. O alimento principal durante a internação foi um iogurte especial. Foram várias flores recebidas e mensagens de otimismo e solidariedade. Juciane explica que, segundo o prognóstico médico, não será mais necessária nenhuma cirurgia.

      À época do acidente Juciane tinha 27 anos. O aniversário dela foi no dia 28 de março, quando já estava em casa. Quando colegas de trabalho foram à casa dela para fazer uma surpresa e a encontraram de pé, todos ficaram surpresos. Ela lembra que precisou ficar um mês de cama, sendo que sete dias embaixo de uma armação de tela (estilo mosquiteiro) para proteger as partes lesionadas que precisam ficar abertas, e a proteção para evitar o contato principalmente de insetos. “Chorei, mas não fico me lamentando. A pessoa tem que pensar em primeiro lugar na recuperação dela, escutar as pessoas certas”, reitera. O material ela pretende doar ao setor de assistência social do município a fim de que seja repassado a um eventual paciente.

     Em casa, Juciane toma de vez em quando um remédio para dor e constantemente faz a aplicação de um líquido cicatrizante. Por recomendação médica ela precisará ficar por dois anos sem pegar sol nas partes lesionadas e por um ano ainda fazendo fisioterapia. A volta para casa, de acordo com Juciane, foi um fator preponderante para a recuperação dela. No hospital precisou tomar morfina e antibiótico durante 15 dias consecutivos e foi só chegar em casa que a dor cessou e os medicamentos foram cessados.

    De uma família de três irmãs, Juciane ocupa o tempo lendo e navegando na internet. Ela participa de um curso virtual da empresa. A internet foi instalada em casa há poucos dias. Ela pretende voltar a trabalhar em julho, o que depende ainda de sua evolução física. Juciane lembra que foi o primeiro acidente em que se envolveu e está receosa com moto. Fazia 10 anos que ela tinha carteira de habilitação. O acidente afastou Juciane de uma das coisas que mais gostava de fazer, jogar futebol. Ela praticava o esporte de duas a três vezes por semana. Ela já consegue dirigir e vai sozinha até a clínica fazer as sessões de fisioterapia.

    Quando passa no local do acidente, inevitavelmente lembra daquele dia 21 de janeiro, mas admite que não se abala. Católica, Juciane fez promessa que irá na próxima Romaria de Frei Bruno. A intenção era ir na deste ano, mas as condições físicas não permitiram. “Queria ir até mesmo de cadeira de rodas, mas não foi possível”. Por fim, Juciane faz questão de enaltecer o atendimento da equipe do HUST. “Foi ótimo”, resume. Ela agradece ainda às pessoas que doaram sangue e incentiva que continuem doando. “Agora eles já estão cadastrados e podem continuar ajudando quem precisa, assim como eu precisei”, finaliza.

Fonte: Rádio Catarinense
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